domingo, 15 de setembro de 2013

" MÃE...
          São três letras apenas,
                 As desse nome bendito:
                       Três letrinhas,nada mais...
                               E nelas cabe o infinito
                                    E palavra tão pequena confessam mesmo os ateus
                                                 És do tamanho do céu
      
                                                       E apenas menor do que Deus!"
                                                                                                        Por Mario Quintana.


domingo, 13 de janeiro de 2013

2013...


RECEITA DE ANO NOVO
Carlos Drummond de Andrade


Para você ganhar belíssimo Ano Novo 

cor do arco-íris, ou da cor da sua paz, 
Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido 
(mal vivido talvez ou sem sentido) 
para você ganhar um ano 
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras, 
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser; 
novo 
até no coração das coisas menos percebidas 
(a começar pelo seu interior) 
novo, espontâneo, que de tão perfeito nem se nota, 
mas com ele se come, se passeia, 
se ama, se compreende, se trabalha, 
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita, 
não precisa expedir nem receber mensagens 
(planta recebe mensagens? 
passa telegramas?) 

Não precisa 
fazer lista de boas intenções 
para arquivá-las na gaveta. 
Não precisa chorar arrependido 
pelas besteiras consumadas 
nem parvamente acreditar 
que por decreto de esperança 
a partir de janeiro as coisas mudem 
e seja tudo claridade, recompensa, 
justiça entre os homens e as nações, 
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal, 
direitos respeitados, começando 
pelo direito augusto de viver. 

Para ganhar um Ano Novo 
que mereça este nome, 
você, meu caro, tem de merecê-lo, 
tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil, 
mas tente, experimente, consciente. 
É dentro de você que o Ano Novo 
cochila e espera desde sempre.



domingo, 6 de janeiro de 2013

D de...

...DANÇA

(Roseana Murray)





"Então a vida é uma dança

de fogo

com a nossa sombra?


Sentimentos explodem,
um incêndio a cada passo.

Como entrelaçar
todas as músicas
que me habitam?"





sábado, 29 de dezembro de 2012

FELIZ 2013!!!







लोकाः समस्ताः सुखिनो भवन्तु।



Locah Samastah Sukhino Bhavantu.

"Que todos os seres em todos os lugares sejam felizes."




quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

" História de uma folha " - escrito por Léo Buscaglia.




"Era uma vez uma folha, que crescera muito. A parte intermediária era larga e
forte, as cinco pontas eram firmes e afiladas. Surgira na primavera, como um pequeno broto num galho grande, perto do topo de uma árvore alta.
A Folha estava cercada por centenas de  outras folhas, iguais a ela. Ou pelo
menos assim parecia. Mas não demorou muito para que descobrisse que não havia
duas folhas iguais, apesar de estarem na mesma árvore. Alfredo era a folha mais
próxima. Mário era a folha à sua direita. Clara era a linda folha por cima. Todos
haviam crescido juntos. Aprenderam a dançar à brisa da primavera, e se esquentar
indolentemente ao sol do verão, a se lavar na chuva fresca.


Mas Daniel era seu melhor amigo. Era a folha maior no galho e parecia que
estava lá antes de qualquer outra. A Folha achava que Daniel era também o mais
sábio.
Foi Daniel quem lhe contou que eram partes de uma árvore. Foi Daniel quem
explicou que estavam crescendo num parque público. Foi Daniel quem revelou que a
árvore tinha raízes fortes, escondidas na terra lá embaixo. Foi Daniel quem falou dos
passarinhos que vinham pousar no galho e cantar pela manhã. Foi Daniel quem
contou sobre o sol, a lua, as estrelas e as estações.
Fred adorava ser uma folha. Amava o seu galho, os amigos, o seu lugar bem alto
no céu, o vento que o sacudia, os raios do sol que o esquentavam, a lua que o cobria
de sombras suaves.
O verão fora excepcionalmente ameno. Os dias quentes e compridos eram
agradáveis, as noites suaves eram serenas e povoadas por sonhos.
Muitas pessoas foram ao parque naquele verão. E sentavam sob as árvores.
Daniel contou à folha que proporcionar sombra era um dos propósitos das árvores.
- O que é um propósito? - perguntou a folha.
- Uma razão para existir - respondeu Daniel. - Tornar as coisas mais agradáveis
para os outros é uma razão para existir.
Proporcionar sombra aos velhinhos que procuram escapar do calor de suas casas
é uma razão para existir. Oferecer um lugar fresco onde as crianças possam brincar.
Abanar com as nossas folhas as pessoas que vêm fazer piqueniques, com suas toalhas
quadriculadas. Tudo isso são razões para existir.

A Folha tinha um encanto todo especial pelos velhinhos. Sentavam em silêncio
na relva fresca, mal se mexiam. E quando conversavam eram aos sussurros, sobre os
tempos passados.
As crianças também eram divertidas, embora às vezes abrissem buracos na casca
da árvore ou esculpissem seus nomes. Mesmo assim, era divertido observar as
crianças.

Mas o verão da folha não demorou a passar. E chegou ao fim numa noite de outubro. A folha nunca sentira tanto frio. Todas as outras folhas estremeceram com o frio. Ficaram todas cobertas por uma camada
fina de branco, que num instante se derreteu e deixou-as encharcadas de orvalho,
faiscando ao sol.
Mais uma vez, foi Daniel quem explicou que haviam experimentado a primeira
geada, o sinal que era outono e que o inverno viria em breve.
Quase que imediatamente, toda a árvore, mais do que isso,  todo o parque, se
transformou num esplendor de cores. Quase não restava qualquer folha verde.
Alfredo se tornou um amarelo intenso. Mário adquiriu um laranja brilhante. Clara
virou um vermelho ardente. Daniel estava púrpura. E a folha ficou vermelha, dourada
e azul. Todos estavam lindos. A folha e seus amigos converteram a árvore num arco-
íris.
- Por que ficamos com cores diferentes, se estamos na mesma árvore? -
perguntou a folha.
- Cada um de nós é diferente. Tivemos experiências diferentes. Recebemos o sol
de maneira diferente. Projetamos a sombra de maneira diferente. Por que não
teríamos cores diferentes?

Foi Daniel, como sempre, quem falou. E Daniel contou ainda que aquela estação
maravilhosa se chamava outono.
E um dia aconteceu uma coisa estranha. A mesma brisa que, no passado, os
fazia dançar começou a empurrar e puxar suas hastes, quase como se estivesse
zangada. Isso fez com que algumas folhas fossem arrancadas de seus galhos e levadas
pela brisa, reviradas pelo ar, antes de caírem suavemente ao solo.
Todas as folhas ficaram assustadas.
- O que está acontecendo? - perguntaram umas às outras, aos sussurros.
- É isso que acontece no outono - explicou Daniel - É o momento em que as
folhas mudam de casa. Algumas pessoas chamam isso de morrer.
- E todos nós vamos morrer? - perguntou Folha
- Vamos sim - respondeu Daniel - Tudo morre. Grande ou pequeno, fraco ou
forte, tudo morre. Primeiro cumprimos a nossa missão. Experimentamos o sol e a lua,
o vento e a chuva. Aprendemos a dançar e a rir.
E, depois morremos.
- Eu não vou morrer! - exclamou a folha, com determinação. - Você vai, Daniel?
- Vou sim... Quando chegar meu momento.
- E quando será isso???
- Ninguém sabe com certeza. - respondeu Daniel
A Folha notou que as outras folhas continuavam a cair. E pensou: "Deve ser o
momento delas". Ela viu que algumas folhas reagiam ao vento, outras simplesmente
se entregavam e caíam suavemente.

Não demorou muito para que a árvore estivesse quase despida. Tenho medo de morrer. - disse folha a Daniel - Não sei o que tem lá embaixo.
Todos temos medo do que não conhecemos. Isso é natural. - disse Daniel para animá-
la - Mas você não teve medo quando a primavera se transformou em verão. E
também não teve medo quando o verão se transformou em outono.
Eram mudanças naturais. Por que deveria  estar com medo da estação da morte?
- A árvore também morre? - perguntou a folha.
- Algum dia vai morrer. Mas há uma coisa que é mais forte do que a árvore. E a
Vida. Dura eternamente e somos todos uma parte da Vida. Para onde vamos quando
morremos?
- Ninguém sabe com certeza... É o grande mistério.
- Voltaremos na primavera?
- Talvez não, mas a Vida voltará.
- Então qual é a razão para tudo isso? - insistiu a Folha - Por que viemos pra cá,
se no fim teríamos de cair e morrer?
- Daniel respondeu no seu jeito calmo de sempre:
- Pelo sol e pela lua. Pelos tempos felizes que passamos juntos. Pela sombra,
pelos velhinhos, pelas crianças. Pelas cores do outono. Pelas estações. Não é razão
suficiente?
Ao final daquela tarde, na claridade dourada do crepúsculo, Daniel se foi. E caiu
a flutuar. Parecia sorrir enquanto caía.

- Adeus por enquanto - disse ele à folha.
E depois, folha ficou sozinha, a única folha que restava no galho.
A primeira neve caiu na manhã seguinte. Era macia, branca e suave. Mas era
muito fria. Quase não houve sol naquele dia... e foi um dia muito curto. A folha se
descobriu a perder a cor, a ficar cada vez mais frágil.  Havia sempre frio e a neve
passava sobre ela.

E quando amanheceu veio vento que arrancou a folha de seu galho. Não doeu.
Ela sentiu que flutuava no ar, muito serena. E, enquanto caía, ela viu a árvore inteira
pela primeira vez.
Como era forte e firme! Teve a certeza de que a árvore viveria por muito tempo,
compreendeu que fora parte de sua vida. E isso deixou-a orgulhosa.
A Folha pousou num monte de neve. Estava macio, até mesmo aconchegante.
Naquela nova posição, a folha estava mais confortável do que jamais se sentira.
Ela fechou os olhos e adormeceu. Não sabia que a primavera se seguiria ao
inverno, que a neve se derreteria e viraria água. Não sabia que a folha que fora, seca e
aparentemente inútil, se juntaria com a água e serviria para tornar a árvore mais forte.
E, principalmente, não sabia que ali, na árvore e no solo, já havia planos para novas
folhas de primavera. "


Fé na vida!


FELIZ NATAL e Vivaaaaaa 2013 da Km inicial!


Mensagem da linda ONG que faço parte - Movimentos em Semente!